Direito Bancário

Antes de assinar a renegociação que o banco propôs, vale saber o que ela resolve e o que ela apenas adia.

Proposta de renegociação é documento novo, com juros novos e, quase sempre, garantias novas. Ler o que muda entre o contrato antigo e o proposto é o que separa fôlego de caixa de dívida maior com prazo mais longo.

O banco costuma aparecer como solução de curto prazo, e a renegociação chega com a mesma promessa. O problema raramente está na primeira contratação — está no acúmulo: capital de giro que virou conta garantida, que virou cheque especial, que virou uma proposta de consolidação com garantia do sócio. Cada rodada resolve o mês e move o risco para frente.

Antes da defesa

O que costuma agravar o caso.

Assinar a proposta sem comparar com o contrato atual

A proposta de consolidação traz taxa, prazo, tarifas e garantias em condições diferentes. Sem colocar os dois documentos lado a lado, a empresa não sabe se está reduzindo o custo ou apenas empurrando o vencimento.

Aceitar garantia nova para dívida velha

É comum a renegociação pedir aval do sócio, alienação de um bem ou fiança que não existiam no contrato original. A dívida continua a mesma; o que muda é quem responde por ela se der errado.

Renegociar de novo em vez de revisar

Cada rodada incorpora ao saldo os encargos da anterior. Em algum ponto a conta cresce mais rápido que a capacidade de pagar, e o que resolveria é discutir o cálculo, não refinanciá-lo.

Como o escritório conduz

Do primeiro contato à decisão sobre a proposta.

Leitura dos contratos e do saldo

Contrato original, aditivos, extratos e a proposta em cima da mesa. O objetivo é saber de que a dívida é feita: quanto é principal, quanto é encargo e o que foi cobrado sem previsão contratual.

Conferência dos encargos aplicados

Comparação entre o que o contrato previa e o que o banco cobrou — taxa, capitalização, tarifas, seguro embutido, encargos de inadimplência. Nem toda diferença é ilegal; a leitura separa o que é discutível do que não é.

Negociação ou revisão, conforme o número

Com o cálculo na mão, a conversa com o banco muda de patamar. Quando a negociação não resolve, a via é discutir judicialmente os encargos — e a escolha entre as duas é da empresa, com o custo de cada uma à vista.

Acompanhamento do que foi acordado

Conferência de que o acordo assinado corresponde ao negociado, e do saldo aplicado nas parcelas seguintes. Acordo mal implementado é problema que volta em três meses.

Cenários

Por que a resposta muda de caso para caso.

A empresa ainda está adimplente

É a posição de maior força para negociar e a de menor custo. Revisar antes do atraso evita a negativação, mantém o crédito de pé e amplia as opções na mesa.

O atraso já começou

Entram encargos de inadimplência e a pressão do banco aumenta. Continua havendo espaço para negociar, mas cada semana adiciona custo — e a proposta que chega tende a ser pior que a de antes.

Há vários contratos ao mesmo tempo

Capital de giro, cheque especial e financiamento com o mesmo banco ou com bancos diferentes. Tratar um por vez costuma piorar o conjunto; o levantamento total é o que permite ordenar o que se paga primeiro.

Prazos e documentos

O que reunir, e em quanto tempo.

Documentos para a primeira leitura

Contrato de cada operação com os aditivos; os extratos do período; a proposta de renegociação, se já houver; o demonstrativo de saldo devedor do banco; e o cartão CNPJ. Quando houver aval ou garantia, o documento que a constituiu.

Quando isso é urgente

Se há proposta com data para assinar, se o vencimento de uma parcela grande está próximo, ou se já houve cobrança judicial. Fora dessas situações, a revisão é trabalho de planejamento — e rende mais feita com calma.

Perguntas frequentes

O que empresários costumam perguntar.

Renegociar impede discutir o contrato antigo depois?

Não necessariamente. O Superior Tribunal de Justiça já firmou, na Súmula 286, que a renegociação de contrato bancário não impede a discussão de eventuais ilegalidades dos contratos anteriores. Isso não torna a discussão automática, mas afasta a ideia de que assinar o acordo apaga o passado.

Juros altos são automaticamente abusivos?

Não. A jurisprudência não fixa um teto em percentual para instituições financeiras. O parâmetro é a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquela modalidade, e a discussão exige diferença relevante em relação a ela, avaliada caso a caso.

A empresa pode ser cobrada se quem assinou foi o sócio?

Depende do papel de cada um no contrato. Aval e fiança criam responsabilidade pessoal de quem assinou, e há situações em que a empresa e o sócio respondem juntos. É o tipo de coisa que só a leitura do contrato e das garantias esclarece.

Discutir o contrato na Justiça suspende as parcelas?

Não por si só. A ação não interrompe automaticamente a cobrança, e há hipóteses em que se pede o depósito do valor que a empresa entende devido. A estratégia precisa considerar o efeito sobre o caixa durante o processo.

Quanto tempo leva uma revisão de contrato?

A leitura e o parecer com os cenários levam poucos dias depois que os documentos chegam completos. O que varia é o caminho escolhido depois: negociação costuma se resolver em semanas, discussão judicial leva bem mais tempo.

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